Text Size
   

A médica e a Domestica

2009

 

- Cena 1 – Agosto de 2009. O dia dos Pais estava próximo. Uma jovem médica e seu bebê faziam compras em um grande Shopping de Salvador. Momentos felizes que foram substituídos por horas de sofrimento, pavor e, finalmente, a morte. O crime abalou a cidade. A repercussão da notícia deixou a sociedade indignada e o crime virou manchete em toda a imprensa nacional.
As autoridades policiais se mobilizaram para prender o assassino, que havia recebido indulto para gozar o Dia dos Pais em liberdade. Cinquenta policiais foram destacados para solucionar o caso. Uma semana depois, estava preso o cruel estrupador.
Cena 2 – Junho de 2009. Seria mais um dia de rotina na vida de uma mulher simples que seguia para seu trabalho como doméstica. Ia com seu filho ao colo quando, de repente, um motoqueiro tentou assaltá-la; instintivamente resistiu e terminou mortalmente ferida por uma bala. Restou o eco, em nossas memórias e esperamos que também na memória das autoridades competentes, de uma criança estupefata ante a cena:
“O homem mau matou a minha mãe’’ .
Duas tragédias. Só que a primeira, devido á posição da vítima , causou comoção geral, movimentação e cobrança da imprensa, mobilização total da Policia e a prisão imediata do criminoso. Na segunda, apenas uma pequena nota na página policial dos jornais. O criminoso continua solto á espreita de outra vítima que pode ser qualquer um de nós.
Desses episódios decorrem três questionamentos:

1 - Por que a existência desses indultos ? Os psicanalistas sabem que criminosos como esses, mesmo com “bom comportamento’’ no xadrez, possuem em suas veias a adrenalina da delinqüência e , ao se sentirem livres, voltam a cometer crimes, cada vez mais bárbaros, até mesmo pelo aprendizado que recebem nos presídios. “Ah! Mas a lei determina isso’’ dizem os juízes. É preciso rever urgentemente essa lei que, ao invés de proteger a sociedade, torna-se conivente com criminosos dessa natureza.
Que essas liberações sejam monitoradas. No mundo moderno, existem equipamentos capazes de monitorar os passos desses presos a qualquer distância, e já são utilizados em outros países com sucesso. Por que não utilizarmos aqui?

2 - Por que grandes estabelecimentos não utilizam, ou não são obrigados a utilizarem um esquema de segurança eficiente? Minimizam, assim, a necessidade de proteção de seus clientes. Não consideram a necessidade de se elaborar um plano de segurança, uma avaliação dos riscos que dimensionam as necessidades de homens e equipamentos, para que sejam seguidos pelas empresas de segurança regulamentadas.
3 – Por que a sociedade, a polícia e a imprensa não se mobilizam tanto quando os crimes desse tipo atingem pessoas menos favorecidas socialmente?
O tratamento deve ser igual com esses famigerados bandidos, independentemente se eles roubaram e mataram pobres ou ricos.
Enquanto tudo isso não for reavaliado pelas autoridades, pelos empresários e por nossas sociedades, continuaremos a chorar, literalmente, o sangue derramado desses inocentes.

alt

Busca no site