Text Size
   

MENTES CRIMINOSAS OU PRODUTOS DE UMA SOCIEDADE PERVERSA?

2011

 

 

    No ano de 1888, o miserável distrito de Whitechapel, em Londres, na Inglaterra, viveu noites de terror. Um homem amedrontava a sociedade local, matando prostitutas de forma cruel, esquartejando suas vítimas com uma sanha assassina nunca vista na época.

São muitas as versões sobre a identidade do criminoso, que ficou conhecido como “JACK, O ESTRIPADOR”, porém alguns historiadores ingleses afirmam que se tratava do pintor alemão Walter Sickert, filho de uma prostituta, que mantinha relações sexuais com seus clientes na sua presença, além de lhe aplicar castigos físicos, na sua pré-adolescência. “Jack” “foi o primeiro criminoso famoso por praticar crimes em série, o primeiro “serial killer, como são conhecidos, em nossa época, assassinos como ele.

Depois, o mundo conheceu outros assassinos em série, que espalharam medo e ceifaram a vida de inocentes.

Em 1958, Charles Starkweathwer iniciou uma série de assassinatos na América. Preso e condenado à morte, no momento da execução perguntaram se ele desejava doar seus olhos para transplante. Respondeu: “De jeito nenhum! Ninguém nunca fez nada por mim. Por que eu deveria fazer alguma coisa pelos outros?”.

O americano Charles Manson, no comando de um bando de “lunáticos”, assassinou brutalmente, em 1969, no interior da mansão do cineasta Roman Polanski, em Hollywood, a sua esposa, a atriz Sharon Tate e mais dois casais que se encontravam na casa. Também filho de prostituta, Manson, teve a infância marcada por mal-tratos e humilhações.

Brasil. 07 de abril de 2011. Manhã de horror no Rio de Janeiro: Wellington Menezes, ex-aluno de uma escola no bairro de Realengo, invadiu o estabelecimento escolar e ceifou a vida de 12 “brasileirinhos”, como disse, entre lágrimas, a presidente Dilma Roussef. A população, comovida, chorou em frente à TV. Políticos prometeram soluções às vezes utópicas. E a imprensa, como sempre, aproveitou a tragédia para vender. Jornais e programas populares de TV utilizaram todos os espaços dos noticiários durante uma semana, reportando-se ao brutal crime. Apesar de toda a comoção, não vimos ninguém apresentar sugestões para que isso não se banalize, como já acontece com outros tipos de crime em nosso País e, o que é preocupante, a intensa exposição na mídia falada e escrita pode servir também para encorajar outras pessoas desequilibradas a agirem da mesma forma.

Wellington Menezes, na sua adolescência, também foi vítima de uma tremenda discriminação, por ser introvertido, desengonçado e não se encaixar no perfil desejado pela maioria dos colegas, nessa ditadura da beleza e da modernidade que assola o mundo.

Não vamos procurar justificativas para desculpar esse tipo de criminoso, mas, na maioria dos casos, observa-se que foram pessoas comuns, sem antecedentes de crimes, que se transformaram em “monstros”, não só por serem portadoras de distúrbios do comportamento, como por terem sofrido, humilhações e falta de atenção na infância e na adolescência, não se enquadrando nos padrões dos chamados “normais”.

É imperioso, se quisermos evitar que inocentes continuem morrendo dessa forma, deixar de agir como as emas, que enfiam a cabeça em um buraco para se esconder dos perigos. Tendemos a achar que esquizofrênicos e psicopatas só existem nas outras famílias. É preciso estar atentos para os nossos próprios filhos, que podem ter problemas não identificados por nós, e se isso se comprovar, levá-los aos especialistas, que saberão conduzi-los a uma vida social sob controle. O que não se deve fazer é escondê-los ou deixá-los à mercê da sociedade para serem humilhados e tripudiados por pseudo-amiguinhos. Faz-se necessário ficarmos atentos para que nossos filhos não tripudiem dos mais fracos e diferentes. Cabe-nos educá-los de forma a amar e respeitar as pessoas, independentemente de elas serem portadoras de algum tipo de deficiência física ou mental, de possuírem orientação sexual diferente ou não se enquadrarem na ditadura da beleza tão comum entre os jovens. Aos educadores, fica a responsabilidade de detectar em seus alunos os desvios de personalidade e então agir pedagogicamente, evitando que os demais colegas sofram o terrível bullying.

Ao Poder Público cabe dispensar maior atenção e verbas para o ensino público, tão carente no Brasil, oferecendo escolas com planos de segurança necessários para seu funcionamento e propiciando melhores condições de trabalho, segurança e salários dignos aos professores, que, na maioria das escolas públicas, trabalham ameaçados e acuados pelos alunos.

Se tudo isso não acontecer, ficaremos sempre na dúvida se essas pessoas nascem criminosas ou se tornam monstros, frutos de uma sociedade perversa.

alt

 

  

 

Busca no site