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O OCASO DOS “IDOLOS DE BARRO”

                          2010

 

     Desde pequeninos, começarmos a admirar pessoas, às vezes até com certo fanatismo, acreditando em tudo que dizem e imitando seus gestos, vestes e atos. A mídia, como meio de informação instantânea, sempre tem na sua mira cantores, artistas e atletas principalmente do futebol. Com base nos feitos profissionais de cada um, acabamos por eleger nosso ídolo.

E esse ídolo, “pessoas a quem se tributa demasiado respeito ou excessivo afeto” nem sempre sabe o real valor dessa palavra e a responsabilidade que carrega perante seus fãs.

O sucesso, principalmente o que é obtido de maneira rápida, torna- se um pesado tributo a ser carregado por aqueles que apenas têm um verniz a lhe mascarar a verdadeira personalidade. E é nesse momento que se transformam nos chamados ‘ídolos de barro’, ou seja, facilmente caem do pedestal aonde seus fãs, lhe colocaram.

Mais uma vez, quebra– se o encanto. Nestas últimas semanas, toda a sociedade tem acompanhado o caso e o ocaso de um ídolo. Bruno, goleiro do Flamengo, time mais querido do Brasil, é suspeito de matar uma duas suas amantes e ex- fã, com requintes de crueldade. Clamor público, imprensa em polvorosa, fãs assustados e incrédulos, colegas de clube tristes, decepcionados e surpresos.

Voltamos no tempo e vêm à tona nomes como Edmundo conhecido como “animal”, acusado de crime culposo por ter provocado mortes em acidente automobilístico, quando ficou constatado seu estado de embriaguês; Adriano e Wagner Love, também jogadores do “mais querido“, se deixaram fotografar ao lado de traficantes, sem falar do cantor Belo, que cumpriu pena por tráfico de drogas.

Diga–se de passagem, isso não é coisa dos tempos atuais. Poderia citar inúmeros ídolos do passado que, após provarem o doce sabor da fama , se deixaram levar pelo alcoolismo e pelas orgias, tendo um final muito triste. Morreram pobres e esquecidos.

“De repente, tudo acabou”. Nunca saiu da minha mente essa frase do meu maior ídolo, “Mané Garrincha”, durante entrevista a uma emissora de TV, em um jogo arranjado por seus colegas para arrecadar fundos para seu tratamento de saúde.

Naquela época, era somente o álcool que destruía nossos ídolos. Agora, a situação é bem pior. A disseminação das drogas ilícitas em todos os ambientes e a dinheirama que corre no cenário artístico e futebolístico são mais preocupantes. Com isso, a ascensão financeira e social é muito mais rápida do que no passado.

De maneira rápida, um talentoso jovem de 17 anos, na maioria de origem pobre, tem sua conta bancária recheada, carrões e mulheres à sua disposição. Os ‘pseudo-s amigos’, parentes, empresários, belas mulheres e até membro da imprensa passam a lhe bajular no intuito de também ganharem alguma coisa. Como fica a cabeça desses jovens? Sem ter tido uma boa base familiar e cultural, pensam que são deuses e tudo podem, e acabam por extrapolar todos os limites. Infelizmente, não procuram se espelhar nos bons exemplos como Kaká,Caio Riquinho, Zico, Júnior e o “Rei” Roberto Carlos, que souberam administrar sua fama, foram, e são, profissionais exemplares e nunca decepcionaram seus fãs. Minoria? Infelizmente, sim!

As historias dos ‘ídolos de barro’ devem servir de subsídio aos pais que sonham com seus filhos famosos, que não se limitem apenas em incentivá- los a conseguir montanhas de dinheiro, mas que procurem, principalmente, formá-los como cidadões honestos, priorizando os estudos, a religiosidade e o respeito às pessoas. Isso é que lhes dará o respaldo de que necessitam para enfrentar os desafios do mundo.

É necessário também que “olheiros” empresários e procuradores desses jovens não pensem somente no que vai lucrar com eles, pois poderão estar matando “sua galinha dos ovos de ouro”.

É tudo muito passageiro e no final todos perdem. O sucesso para aqueles que possuem talento chega fácil.O difícil é mantê-lo

 

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