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JOVENS SERÃO O BRASIL DE AMANHÃ. TEMOS QUE CUIDAR DESTE BRASIL.

2007

 

Um estagiário dispensou seu tempo para elaborar pesquisa em um dos semáforos da nossa cidade e teve um misto de revolta e preocupação ao terminar esse trabalho.

A pesquisa lhe mostrou que um garoto pedinte pode faturar nas ruas R$ 1.200,00 por mês, salário sonhado por grande parte de pais de famílias brasileiro, que, além de não ganharem esse valor, ainda pagam impostos.

O cálculo é simples, um sinal de trânsito troca de cores, em média, a cada 30 segundos (trinta no vermelho e trinta no verde).

Dessa forma, em cada minuto, um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$ 0,10, o que, em uma hora, dará 60 minutos, que multiplicado por R$ 0,10, totalizará R$ 6,00 por hora. Se ele for um mendigo “trabalhador” e permanecer 08 horas por dia em um semáforo, ele chegará ao valor de R$ 1.200,00 mensais. É esse cálculo é baseado em esmolas de R$ 0,10, porém sabe – se que muitas pessoas dão moedas de R$ 0,20, R$0,50 e até R$ 1,00.

Isso é assustador. Os jovens carentes sabem disso. Será que eles têm estímulo para ir á escola? Certamente não. Nem dos pais. Estes, ás vezes, os instigam a ir para as ruas mendigarem para poder comprar aquela comidinha básica e sustentar seus vícios. Não estão preocupados com a educação dos filhos que, inconseqüentemente, colocam no mundo. Esses garotos, sem amor, sem amparo, sem educação, sem cultura e tendo o ócio como mola propulsora, vão se drogar, se postituir e passar a fazer parte do crescente mundo do crime nas grandes cidades. Mundo esse, que não oferece mais do que uma vida curta, por vezes findando na adolescência e, quando muito, aos 25 anos de idade. Pouco tempo de vida, que lhes serviu apenas para assaltar, roubar ou até mesmo tirar vida de algum cidadão que um dia lhe deu uma moeda no semáforo.

Esse mesmo estagiário, assim como todos nós, deve estar estarrecido agora, ao ler as manchetes dos jornais, como: “Crime de jovens de classe média chocam a sociedade baiana” e “Bando de jovens grã- finos surram empregada doméstica no Rio de Janeiro”.

Esse é o outro lado da moeda. Jovens que se acredita “bem nascidos”, filhos de família de classe média, assaltando e barbarizando nas madrugadas.

“Não preciso. Fiz porque gosto de sentir adrenalina no sangue”. Depoimentos, como esse de jovens ainda saindo da adolescência, são mesclados por cinismo e frieza, Nada lembra que têm família, que estudaram em bons colégios, tiveram brinquedos sofisticados e certamente seus sonhos de consumo, realizados. Aí surge uma situação antagônica, ou seja , os jovens que mendigam nos semáforos e os que têm carro e estudo, aparentemente oriundos de realidades tão diferentes, padecem do mesmo mal, ou seja, a desestruturação familiar e as drogas.

De fato, o que se vê hoje nas relações familiares das classes mais abastadas (não são todas, é claro) é a falta de amor e de cuidado por parte dos pais, que não sabem ou não querem estabelecer limites. Seus afazeres quer seja por motivos de trabalho, quer seja nas programações de lazer (destas, em geral,seus filhos não participam) não lhes permitem dispensar a atenção necessária ao acompanhamento do adolescente.

Lar desestruturado é sinônimo de drogas nas proximidades. O traficante está sempre á espreita, e aonde detecta fragilidade, apresenta-se como o “salvador da pátria”, isto é, oferecem “algo capaz” de suprir a carência afetiva. Depois a cobram de maneira cruel e irreversível.

Como aliados perversos, os comercias da mídia que adentram dos lares brasileiros

(ricos e pobres), mostrando tênis das melhores marcas, celulares de última geração, computadores que só faltam falar e potentes automóveis voando nas telas da TV, aprecem também como grandes vilões. Um mundo de sonho invadindo a cabeça dos nossos jovens, que não medem esforços nem riscos para ter acesso a isso tudo.

Educação, religiosidade, sociabilidade, trabalho, amor ao próximo, sentimentos básicos que servem de alicerce para a formação do ser social, quase não existem na adolescência brasileira.

Como continuar tendo fé no Brasil de amanhã? Depende de nós. Esse jogo pode virar. Não vamos continuar dando esmolas. Se desejarmos praticar atos de solidariedade humana, vamos ajudar uma entidade de crianças carentes, adotar uma criança mesmo que seja a distância. Vamos dar um basta nesse terrível praga chamada drogas, dar mais atenção, amor e carinho aos nossos filhos, sem esquecer de estabelecer limites e de cobrar resultados. É fundamental conhecer quem são seus companheiros nas escolas e nas ruas.

É preciso pôr em prática essa máxima: “Não basta ser pai. Tem que participar”.

Não esqueçamos também de votar e de ensinar nossos filhos a votarem em políticos que se preocupem com a educação e a cultura do povo e não aqueles que acham que estudar é supérfluo e fomentam apenas esmolas.Afinal, o Brasil de amanhã pode ser bem melhor. Depende muito também de nós todos.

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