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VIOLÊNCIA JÁ PREOCUPA AOS ADOLESCENTES

2006

 

O convite para participar de um encontro festivo e, principalmente, proferir palestra prevenção contra a violência urbana em um estabelecimento escolar de 1º e 2º graus me deixou surpreso e até mesmo receoso.

Afinal, como seria falar sobre esse assunto para adolescentes que teriam suas festividades suspensas para ficarem, durante 60 minutos, na sala, ouvindo palestra sobre violência ? Afinal, quando se é jovem vê–se a vida somente sob o prisma da alegria, da inconseqüência, da imortalidade. As coisas negativas parecem distantes e só acontecem com os mais velhos e nas periferias das cidades.

Ao adentrar o recinto, estimei a presença de, aproximadamente, 100 jovens, com a algazarra e a ingenuidade próprias da idade: assobios, brincadeiras, arrastar de cadeiras. Havia, de fato um ruído ensurdecedor de vozes. O auditório parecia um grande “aviário”. Nesse momento, achei que seria impossível falar para esse público, prender- lhe a atenção. Alguns jovens me olhavam com aquele ar de impaciência e de desconfiança.

Para minha supresa, porém, quando uma simpática educadora anunciou a palestra, todos pareceram calar–se ao mesmo tempo, talvez antevendo a importância do tema.

Comecei a dissertar sobre o assunto e, mais surpreso ainda fiquei, quando percebi que, além de atentos, os alunos faziam perguntas, demonstrados que estavam, de fato, desinformados sobre os métodos de prevenção contra a violência.

No final da apresentação, um adolescente, bastante participativo, questionou: “Cara, por que não incluir no quadro de disciplina escolar uma matéria sobre esse assunto?”. Outro, após a apresentação, bateu do meu ombro e disse : “Pó velho, valeu! A partir de agora vou ficar mais ligado”.

Deixei o recinto feliz pelo resultado do evento e pensativo sobre aquela sugestão do jovem estudante. Nada sei a respeito da política dos estabelecimentos de ensino, porém acredito que essa sugestão poderia e deveria ser atendida. Que não se coloque o assunto como matéria da grade de disciplinas, mas não seria viável que, pelo menos uma vez por semana, um profissional da área de segurança (na Bahia, temos muitos capazes) passasse sua experiência para os jovens, abrindo-lhe os olhos para os perigos a que estão expostos nos ônibus, nos automotivos, na caminhada para o colégio, enfim, em todos os lugares?

Fica a sugestão para os diretores escolares, sensíveis ao problema e preocupados com a segurança de seus alunos. Prover o estabelecimento de ensino e suas redondezas de seguranças bem preparados e armados é fundamental, assim como pensar mais longe, ou seja, é necessário que o jovem aprenda a lidar e saiba defender –se de situações perigosas , que ponham em risco sua vida.

A situação em que se encontra o mundo e, em especial , o Brasil, faz com que a prevenção contra a violência se constitua em um aprendizado fundamental para os nossos jovens. Sinto- me feliz em ter dado minha parcela de contribuição, e parabenizo, de público, o Colégio Apoio (Corredor da Vitória) pela iniciativa de conscientizar seus alunos sobre a necessidade de se prevenirem contra os perigos de que eles, ingenuamente acham que estão distantes.

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