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“Tropa de Elite ”Sonho de uma sociedade com medo.

2010

 

   O telefone tocou na casa de um pequeno comerciante “Alô! É o Dr.César? Isso é um seqüestro. Peguei seu filho querido. E agora?”. Dizia o interlocutor tranqüilo, com uma voz pastosa e cruel. “Vamos precisar de um milhão de reais para devolver seu herdeiro vivo”, continuou o seqüestrador. Do outro lado da linha, um pai aflito, coração disparado. Sente o desespero e, principalmente, a horrível sensação de impotência total. Começam aí dias e dias de aflição para uma família de classe média .

Em um passado não muito distante, esse tipo de crime só acontecia com famílias de grandes empresários e industriais.

A cada dia que passa crimes terríveis e horrendos, como esse, acontecem em quase todas as classes na sociedade brasileira.

Está explicado por que o filme “Tropa de Elite” alcançou um surpreendente sucesso, batendo todos os recordes de bilheteria, mesmo depois de muitos brasileiros o terem assistido através do recurso também criminoso da ‘pirataria’. O enorme sucesso do filme mostrou, com cenas muito próximas da realidade atual, que a sociedade brasileira está acuada diante da criminalidade; já que não se sabe mais onde vai parar tanta violência, que acontece em todos os segmentos e de maneira diversa.

Isso nos faz sonhar com uma Polícia cheia de tropas de elite, com vários “Capitães Nascimento”. Tropas corajosas, compostas por homens bem remunerados, que não se deixariam corromper, e bem armados, enfim, capazes de conter e punir criminosos cruéis, com muito orgulho e dedicação em defesa da sociedade brasileira.

Mas chegou a hora de acordar.

Sabemos que existem “Capitães Nascimento” ‘adormecidos ‘ em nossa polícia, só que o sistema não lhe permite aflorar esse lado heróico. Devemos lembrar que nossas forças policiais não recebem das autoridades governamentais a atenção que merecem. Nossos polícias não dispõem de armas suficientes para enfrentar o ‘crime organizado ‘(organizado ou bem armando? Dá para acreditar que existe ‘organização’ no crime?), não possuem remuneração justa para manter sua família com dignidade, não tem acesso aos meios de comunicação modernos, apesar de toda a tecnologia existente na segurança eletrônica. Estão também, esses bravos homens, desamparados e precisando esconder suas fardas nas mochilas para não serem identificados e mortos por bandidos nas ruas e nos transportes coletivos.

Bandidos que, no passado recente, tremiam de medo só de ouvir as sirenes das viaturas policias. Enfim, nossos policias estão totalmente despreparados para realizar um trabalho preventivo. Preventivo, porque de nada adiantará a interferência de uma unidade policial, por mais bem preparada que seja, após o crime ter acontecido.

Muitos dos leitores poderão dizer: “Mas isso não acontece só no Brasil”. Certo, lá fora também existe criminalidade, só que com uma grande diferença: não há impunidade, como aqui. Isso gera a banalização do crime que, juntamente com o tráfico de drogas, abre caminhos para novos criminosos. Em outros países, as leis são duras. Existem e são cumpridas com rigor, independentemente da classe social, idade, destaque político ou a fama do infrator. Não vamos desanimar, entretanto. Vamos continuar lutando para conseguir reduzir essa violência e fazer a paz voltar a reinar nas cidades, como no tempo dos nossos avôs. Não esperemos pelas autoridades. Esse não é somente um problema delas. É também de toda a sociedade, que não se deve deixar levar pela tentação de comprar drogas, materiais contrabandeados, equipamentos piratas e até mesmo ‘inocentes’ jogos de azar, como bingo e jogo do bicho.

É preciso que todos tenham em mente que toda essa ilegalidade, mantida pela própria sociedade, enriquece e engrandece os grandes criminosos que comandam verdadeiros ‘exércitos’ de malfeitores, matando, roubando e viciado nosso jovens, levando-os à morte precoce, noticiada diariamente na mídia brasileira .

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