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DESLIGAR PARA SE LIGAR

 

 

 

2005

 

Lendo sobre a tragédia asiática ocorrida no apagar das luzes do ano de 2004, tomei conhecimento de que uma das regiões mais afetadas pelas tsunamis (ondas gigantes) foi a ilha de Sri Lanka.

E que bem no meio dessa ilha, fica o Yale National Park, com 19 km de praias habitadas por centenas de animais, de grande e de pequeno porte.

Esse parque foi inundado pela violência das águas. Sabem quantos animais morreram com essa tragédia? Nenhum animal foi encontrado morto após a chegada da calmaria. Espantoso não?

Estupefatos os jornalistas procuram os cientistas em busca de uma explicação lógica para esse “milagre”.

Entrevistados pela BBC e pela National Geographic, os estudiosos afirmaram que antes da chegada das ondas gigantes, os animais já tinham se retirado do parque.

É verdade. Bateram em retirada e salvaram seus couros, peles e penas. Comenta-se até mesmo, que perto da chegada da onda, um turista passeava ao dorso de um elefante. Ao pressentir o perigo o animal derrubou sua montaria e sai em desabalada carreira procurando seu refúgio.

Nenhum bicho foi apanhado pelas águas. E olhem que o mar adentrou 3 km no Yale National Park. Mas não encontrou qualquer animal para engolir, como fez com milhares de seres humanos no Sri Lanka e nas regiões das proximidades.

Esses animais se deslocaram das praias e das regiões mais baixas da ilha para pontos mais altos do parque, ao sentirem vibrações, no solo e no ar, e as rally waves que prenunciavam a tragédia. São freqüências de som produzidas pelo terremoto, mais baixas do que nossos cansados ouvidos captam e que os animais tem a capacidade de sentir. As rally waves também seríamos capazes de sentir, se não tivéssemos as mentes congestionadas de informações, pois apesar dessas ondas chegarem até nós, simplesmente os deletamos da nossa já invadida consciência.

Lamentando pela terrível tragédia que ceifou a vida de aproximadamente 150.000 dos nossos irmãos asiáticos e refletindo bastante sobre isso, podemos observar o quanto aprendemos com as tsunamis.

Por que só os animais estavam conectados com a natureza? Enquanto ligados, ganharam tempo para se livrar da violência das ondas enfurecidas.

E os humanos sucumbiram, foram para o “andar superior”. Conectados apenas em outras fontes sonoras desses terríveis aparelhinhos de ouvido, ou frente a aparelhos de TV, rádios, e muitas vezes naqueles terríveis “trios elétricos” de automóveis, nada ouviram, nem sentiram.

Resta-nos um consolo. No Brasil talvez nunca aconteça ou leve muitos anos para acontecer uma tragédia dessa envergadura.

Caso venha acontecer, espero que, daqui para lá, as pessoas tenham se utilizado dos controles remotos para desligar esses infernais aparelhos ou pelo menos diminuir seus volumes.

Somente dessa forma poderemos passar a ouvir melhor a natureza a exemplo dos elefantes.

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